
Após uma conversa com uma senhora que se sentia solitária, mesmo com muitas pessoas ao seu redor, parei pra pensar uma coisa, como conhecemos as pessoas?
Bom, eu sou uma pessoa, e pessoas freqüentam lugares em comum. E é assim que conhecemos pessoas! São colegas! Colega de escola, colega de trabalho, colega de van, de curso, faculdade, academia, ônibus... e de mais diversas atividades. E sei que esse relacionamento vai se tornar amizade, quando os encontros ultrapassam o lugar em comum, e essa pessoa começa a fazer parte minha vida! Não só em meus pensamentos e lembranças, mas no meu dia-a-dia. Passa a ser parte da minha história, passa a ser parte das minhas atenções, passa a ser parte do meu socorro, e passo a retribuir tudo isso. Pronto! Já não é mais meu colega, é meu amigo! Tudo começou por um lugar em comum, pode começar por uma pessoa conhecida em comum, mas começou com um nome simples, colega.
E por que quando vamos a igreja (o templo é o lugar em comum), encontramos as mesmas pessoas, nos mesmos dias da semana e nos mesmos horários, as chamamos de irmãs? Não são colegas, nem amigos, são irmãos em Cristo. Somos filhos do mesmo Deus, do mesmo Pai! “Oh quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” É o que diz a palavra de Deus. E é verdade.
Mas há algo além de ser irmão em Cristo! Existe um viver em união. E me desculpe, mas qual união é perseverante somente com encontros aos domingos, um diálogo medíocre, sorrisinhos e blá blá blá? É preciso que cada um de nós faça além disso! Se para tonar amigo, é preciso conhecer, amar, é preciso relacionamento, imagine para ser irmão! “...nossa unidade não é real! Se a verdade é o que pregamos, o que erramos não sendo um?” é o que diz a música do Oficina G3. Pareço menos chata quando percebo que não estou só, pelo menos neste pensamento.
É necessário transcender as barreiras do lugar em comum! Se quisermos ver Cristo em nós, é necessário que os sorrisinhos medíocres, sejam lágrimas ao lado do que chora! Há urgência nessa tarefa! Temos igrejas lotadas de pessoas sozinhas! Não quero ser emotiva, quero ser consciente.
É claro que existe união verdadeira. Mas a porcentagem é pobre! Porque somos religiosos, crentes demais, até carregamos os símbolos da nossa denominação em nossos objetos! Mas somos pouco compreensivos, pouco irmãos.
Que cada um de nós possa se abrir mais para receber o outro, possa se doar mais ao outro, para que essa pequena semente comece apontar a semelhança de Cristo.
Deus já nos deu todas as ferramentas para trabalhar na terra, não aguarde Ele interferir no problema humano. Ele já nos mostrou o que fazer. O Ser Divino, já veio a terra mostrar como se faz. Quebrou as barreiras para que pudéssemos ser irmãos.
Incluo-me no grupo de falsos irmãos. Peguei essa doença por ai, estou tentando descobrir o motivo.
Quero agradecer aos amigos/irmãos que transcenderam por mim. E que hoje os encontros não são apenas no lugar em comum, em especial : Nalyne, Aline e Matheus.
Caro leitor, desculpe-me a arrogância! Mas foi o grito de socorro estampado nos olhos daquela mulher que dizia: “Pedi ajuda, mas ninguém me ajudou não. Estavam ocupados!”, “Eles me julgaram, e disseram que não daria certo, mas e a fé que eu tenho?”, me senti culpada.
Sabe, sempre a vejo nos corredores do lugar de domingo, mas nem me lembrava do nome dela. E é assim, conheço um monte de pessoas no domingo. Muitas pessoas me conhecem no domingo, mas quem é meu irmão? Eu sou irmã de quem?
E digo a mim, há urgência na tarefa.